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1) O que é câncer?
Câncer é definido como um grupo de doenças
que se caracterizam pela perda do controle da divisão celular e pela capacidade
de invadir outras estruturas orgânicas.
O câncer pode ser causado por fatores externos (substâncias
químicas, irradiação e vírus) e internos (hormônios,
condições imunológicas e mutações genéticas).
Os fatores causais podem agir em conjunto ou em seqüência para iniciar ou
promover o processo de carcinogênese. Em geral, dez ou mais anos se passam entre
exposições ou mutações e a detecção do
câncer.
Em geral o câncer não é hereditário.
Existem apenas alguns raros casos que são herdados, tal como o retinoblastoma,
um tipo de câncer de olho que ocorre em crianças. No entanto, existem
alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais sensíveis
à ação dos carcinógenos ambientais, o que explica por
que algumas delas desenvolvem câncer e outras não, quando expostas a
um mesmo carcinógeno.
Não. Mesmo os cânceres causados por vírus
não são contagiosos como um resfriado, ou seja, não passam
de uma pessoa para a outra por contágio. No entanto, alguns vírus
oncogênicos, isto é, capazes de produzir câncer, podem ser
transmitidos através do contato sexual, de transfusões de sangue ou
de seringas contaminadas utilizadas para injetar drogas. Como exemplos de vírus
carcinogênicos, tem-se o vírus da hepatite B (câncer de
fígado) e vírus HTLV - I / Human T-lymphotropic virus type I
(leucemia e linfoma de célula T do adulto).
O carcinoma in situ (câncer não invasivo)
é o primeiro estágio em que o câncer não hemapoético
pode ser classificado. Nesse estágio, as células cancerosas
estão somente na camada da qual elas se desenvolveram e ainda não
se espalharam para outras camadas do órgão de origem. A maioria dos
cânceres in situ é curável, se for tratada antes que
progrida para a fase de câncer invasivo. Nessa fase, o câncer invade
outras camadas celulares do órgão e invade e ganha a capacidade de
se disseminar para outras partes do corpo.
Desde o início do século até o momento,
a postura da sociedade em geral é de acreditar que o câncer é
sempre sinônimo de morte, e que seu tratamento raras vezes leva à
cura. Atualmente, muitos tipos de câncer são curados, desde que
tratados em estágios iniciais, demonstrando-se a importância do
diagnóstico precoce. Mais da metade dos casos de câncer já
tem cura.
Não. Nem todo tumor é câncer. A palavra
tumor corresponde ao aumento de volume observado numa parte qualquer do corpo.
Quando o tumor se dá por crescimento do número de células,
ele é chamado neoplasia - que pode ser benigna ou maligna. Ao contrário
do câncer, que é neoplasia maligna, as neoplasias benignas
têm seu crescimento de forma organizada, em geral lento, e o tumor
apresenta limites bem nítidos. Elas tampouco invadem os tecidos vizinhos
ou desenvolvem metástases. Por exemplo, o lipoma e o mioma são tumores
benignos.
Os cânceres causados pelo tabagismo e pelo uso de bebida
alcóolica podem ser prevenidos em sua totalidade. A Sociedade Americana
de Cancerologia estimou para 1998 cerca de 175.000 mortes por câncer causadas
pelo uso do tabaco e um adicional de 19.000 mortes relacionadas ao uso excessivo
de álcool, freqüentemente em associação com o uso do
tabaco. Muitos cânceres que estão relacionados à dieta
também podem ser prevenidos. Evidências científicas sugerem
que aproximadamente um terço das mortes por câncer estão
relacionadas a neoplasias malignas causadas por fatores dietéticos.
Além disso, muitos cânceres de pele podem ser prevenidos pela
proteção contra os raios solares. Exames específicos,
conduzidos regularmente por profissionais da saúde podem detetectar o
câncer de mama, cólon, reto, colo de útero, próstata,
testículo, língua, boca e pele em estádios iniciais, quando
o tratamento é mais facilmente bem sucedido. Auto-exames de mama e pele
podem também resultar no diagnóstico precoce de tumores nessas
localizações.
Recentemente, tem-se observado importantes progressos na
prevenção, diagnóstico e terapêutica do câncer.
Os efeitos da prevenção primária, como a redução
da prevalência do tabagismo, já podem ser observados na
população masculina norte-americana, enquanto no Brasil os
esforços são contínuos para se aumentar a adesão aos
programas de controle do tabagismo. As novas estratégias que ajudam os
fumantes a abandonar o cigarro, como o uso dos adesivos de reposição
de nicotina e as terapias de apoio psicológico, já vêm
apontando para resultados favoráveis em diferentes estudos científicos.
O redirecionamento dos padrões dietéticos vem também ganhando
adesão crescente em nosso país. No que diz respeito à
prevenção o exame de Papanicolaou e a mamografia, respectivamente,
na detecção do câncer do colo do útero e de mama,
diferentes estudos científicos têm mostrado sua utilidade no
diagnóstico precoce desses cânceres, embora o impacto da mamografia,
sobre a mortalidade por câncer de mama ainda seja objeto de
investigações.
O tratamento do câncer requer uma estrutura
médico-hospitalar e recursos humanos qualificados, integrando equipes
multiprofissionais. O tratamento propiamente dito do câncer pode ser feito
pela cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, utilizadas de forma isolada ou
combinada, dependendo do tipo celular do órgão de origem e do grau
de invasão do tumor.
Qualquer pessoa. Como a ocorrência do câncer aumenta
com a idade do indivíduo, a maioria dos casos acontece entre adultos de
meia idade ou os mais velhos. O risco relativo mede a relação
existente entre os fatores de risco e o câncer. Ele compara o risco de um
câncer se desenvolver em pessoas com determinada exposição
ou característica ao risco observado naquelas pessoas sem essa
exposição ou característica. Por exemplo, os fumantes
têm um risco relativo 10 vezes maior de desenvolver câncer de
pulmão quando comparados aos não fumantes. A maioria dos riscos
relativos não apresentam essa dimensão. Por exemplo, as mulheres
com uma história familiar em primeiro grau de câncer de mama
(ocorrência da doença em mãe, irmã ou filha) têm
cerca de duas vezes mais risco de desenvolver câncer de mama, quando
comparadas às mulheres que não apresentam essa história
familiar.
Os dados dos Registros de Câncer - Populacionais e
Hospitalares - e os dados de Mortalidade constituem-se na base das informações
para estudar a magnitude do câncer no Brasil. Os Registros de Câncer
se caracterizam como centros sistematizados de coleta, armazenamento e
análise da ocorrência e das características de todos os casos
novos de câncer, ocorridos em uma população (Registros de
Câncer de Base Populacional - RCBP)
ou em um hospital (Registros Hospitalares de Câncer - RHC). Os RCBP produzem
informações sobre a incidência do câncer em uma
população geograficamente definida. Os RHC levantam
informações sobre as características dos tumores e a
avaliação da sobrevida e assistência prestada ao paciente
com neoplasia maligna atendidos nos hospitais. O principal papel dos Registros
de Câncer é fornecer subsídio aos profissionais da área
da saúde para a avaliação da qualidade da assistência
prestada, para a pesquisa sobre o câncer e para o planejamento das
ações de saúde. Existem hoje no Brasil cinco Registros de
Câncer de Base Populacional (RCBP) com informações consolidadas
e cerca de 15 em diferentes fases de implantação e operacionalização.
A expectativa de que em futuro próximo haverá cerca de 20 RCBP
produzindo informações de qualidade sobre a incidência do
câncer no Brasil é um fato relevante para a garantia de que as
próximas estimativas do número de casos novos de câncer
aproximem-se cada vez mais da realidade nacional. Estes registros têm sido
as fontes que nos permitem a avaliação de dados referentes a
incidência de câncer no país. Com relação
à mortalidade, a fonte de dados é o Sistema de Informações
sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. A maioria dos
estudos brasileiros sobre a saúde da população baseia-se na
análise de dados sobre a mortalidade por uma determinada causa, porque a
morte dá origem a um documento legal, de preenchimento obrigatório
- o atestado de óbito. Apesar de apresentar problemas de
subnotificação, a qualidade dessa informação
é considerada boa para as neoplasias malignas, dada a necessidade de
hospitalização da maioria dos pacientes e o conhecimento dos
óbitos ocorridos nos hospitais. Os dados dos RCBP e do SIM constituem-se
na base de cálculo das estimativas
de casos novos e de óbitos por câncer no Brasil. |
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